Dia 25 de novembro é marcado pela luta contra a violência à mulher. Movimentos sociais, feministas e sindicais comemoram a data, que tem importância internacional e marca o inicio dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, que terminam no Dia da Declaração dos Direitos Humanos em 10 de dezembro.
No Brasil, podemos comemorar com a existência da Lei Maria da Penha, que em 2012 completa 5 anos de existência. Mas não podemos deixar de lembrar o quanto ainda falta avançar. De acordo com a pesquisadora da temática de gênero, Rachel Moreno do Observatório da Mulher, ainda é necessário mudar a cultura brasileira para que a violência realmente tenha fim.
Ela destaca como medidas imprescindíveis na alteração cultural um controle eficaz da mídia, que banaliza a violência, especialmente a violência contra a mulher, para obter audiência e a inserção do debate de violência nas escolas. “Nós estamos na semana de discussão da violência de gênero. Essa violência que é quase natural e banal. Está na hora de a gente tentar fazer alguma coisa que signifique que a gente tem que mudar a cultura em vários lugares. Neste momento, podemos focar a discussão nas escolas com as crianças e na formulação de algum projeto, alguma lei, para despertar a responsabilidade social dos veículos de comunicação – tanto em termos de conteúdo de publicidade e conteúdo de programação a gente dê um salto no sentido de acabar com a violência de gênero.” destacou Rachel em debate sobre a data.
Pesquisa destaca o tema
A pesquisa Percepções sobre os direitos humanos no Brasil realizada em 2008 pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República destacou o tema e mostrou dados que sinalizam para uma mudança de comportamento da sociedade e indicam onde poderemos avançar.
Segundo a pesquisa, 69% dos entrevistados discordam totalmente da frase “Às vezes, o homem pode não saber porque está batendo, mas a mulher sabe porque está apanhando.” e mostra o quanto a violência contra a mulher já está sendo intolerada. Apesar do alto grau de rejeição à frase, ainda 25% – representatividade alta – concordam com a frase.
A violência contra a mulher foi considerada em 9% dos casos como a primeira violência a ser combatida. Na soma das menções, 44% consideram importante combater estes atos.
Sobre o grau de importância na criação de políticas públicas do governo federal, 96% consideram muito importante a criação de políticas para combater a violência contra a mulher e 3% consideram parcialmente importante.
Com isso, a manutenção destas políticas e a criação de outras ainda mais abrangentes e protetivas pode ser claramente outro caminho para a alteração da cultura de violência através dos mecanismos legais que pune os agressores, protege às mulheres agredidas e conscientiza à sociedade em prol de uma vida livre de violência para todos as mulheres.
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