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Repórter Brasil lança site sobre Comunicação e Educação

10 fev

Repaginado e com conteúdos inéditos, nova seção já está no ar. Para acessar, clique em “Educação e Comunicação” no menu da esquerda do site da Repórter Brasil ou entre diretamente: www.comunicarparamudar.org.br

 

A ONG Repórter Brasil inagura site repaginado, com conteúdos inéditos, de sua área de Comunicação e Educação. A experiência de anos em comunicação comunitária e educação para as mídias está reunida agora no espaço virtual
Comunicar para Mudar o Mundo. Para acessar, basta clicar em “Educação e Comunicação” no menu da esquerda em www.reporterbrasil.org.br ou digitar o endereço: www.comunicarparamudar.org.br.

“Concebemos o site como forma de disponibilizar materiais de nossos cursos e palestras desde 2001 e compartilhar as reflexões teóricas sobre a prática que temos realizado desde então”, afirma Rodrigo Ratier, coordenador da área de Comunicação e Educação da Repórter Brasil.

Segundo ele, as maiores novidades concentram-se na seção sala de aula. Nela, é possível baixar livremente apresentações em Power Point, planos de aula e questionários para avaliar o que os alunos conhecem sobre comunicação. “Nossa intenção é atualizá-la constantemente, ampliando a lista de opções que os internautas pode utilizar livremente no dia a dia de suas classes ou grupos de interesse”, explica o coordenador.

Os recursos não param por aí. Na seção “um pouco de teoria”, é possível conhecer a perspectiva que embasa as ações de formação do programa Comunicar para Mudar o Mundo (atualmente, oferecido apenas sob demanda de secretarias de Educação, universidades, escolas, associações e ONGs). Já “cursos oferecidos” apresenta a metodologia e o histórico das formações da ONG, incluindo registros de atividades e produções dos alunos.

Há também links para o blog do “Comunicar para Mudar o Mundo, que faz a cobertura das notícias mais relevantes na área de comunicação e educação e o caminho para entrar em contato com os responsáveis pela área.”São opções para contemplar professores de todas as disciplinas que queiram discutir mídia em suas aulas, assim como lideranças, comunicadores comunitários e estudantes que desejem se inteirar sobre o assunto. Fica também o convite para que todos se manifestem com sugestões, críticas e comentários para melhorarmos ainda mais o site”, finaliza Rodrigo.

Para mais informações:
Rodrigo Ratier: rratier@gmail.com, (11) 9378-8226 ou
Edilene Cruz: edilene@reporterbrasil.org.br, (11) 2506-6570, ramal 11

Fonte: Repórter Brasil

Dica de site: Lei Maria da Penha

5 jan

Um dos posts mais comentados e acessados deste blog é uma matéria que fiz a respeito de um documento produzido pelo CFemea, das leis que tramitam no Congresso e podem prejudicar – e até extinguir – a Lei Maria da Penha. Realmente o documento produzido é muito bom e vale a pena ser acessado.

A matéria, eu acho, ficou também muito legal e vale a pena ser lida e divulgada. Aliás, todo esforço em relação ao combate à violência contra a mulher é muito bem vindo e deve ser feito. Por aqui, a Lei Maria da Penha e assuntos correlatos são muito buscados, por isso achei que seria interessante divulgar um site super bacana que foi lançado em novembro do ano passado com bastante informações a respeito da Lei.

O site foi lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e tem como objetivo ser ferramenta de conhecimento para jovens e profissionais do direito e da justiça. “Nós queremos, por meio desses portais, colocar à disposição do público informação qualificada e também promover uma ampla discussão sobre a lei”, disse a gerente de Programa da organização, Júnia Puglia.

Júnia Puglia afirmou que a Lei 11.340/2006 ainda precisa ser mais bem aplicada e compreendida. “Nós entendemos perfeitamente que haja dificuldades de compreensão dessa lei porque ela lida com situações que são culturalmente e historicamente importantes no nosso país, não só aqui, como a diferença nas relações de poder entre mulheres e homens nas relações afetivas. São temas delicados e a gente está entrando na vida das pessoas quando fala disso.”

Interativo, o endereço da web conta com vídeos explicativos sobre a história da lei e também com casos ilustrativos que podem auxiliar toda a população sobre a lei e sua aplicabilidade.

Além disso, também há materiais para educadores, inclusive, com sugestões de atividades. O endereço eletrônico também conta com interatividade nas salas de discussão ou com a participação dos internautas que podem enviar seus relatos.

Quer conhecer mais? Acesse: www.quebreociclo.com.br

Adriana Franco com informações da Agência Brasil

Rodolfo Walsh e o jornalismo militante

9 nov

Escrito por Silvia Adoue para Brasil de Fato

“Não me deixem sozinho, filhos da puta”. Através da persiana do seu quarto, o jornalista ouvia a súplica do soldado agonizante. Dessa vez, a violência se apresentava bem em frente de sua casa, transformada em trincheira dos confrontos. Quem mandou morar em frente a um quartel? Um golpe de Estado surpreendeu Rodolfo Walsh, naquela noite de 9 de junho de 1956, enquanto ele jogava xadrez. O levante pretendia restaurar o governo legalmente eleito do general Juan Domingo Perón, derrubado no ano anterior. Na manhã seguinte, a ditadura militar derrota os rebeldes e fuzila seus líderes.

O jornalista, 30 anos, tradutor e autor de novelas policiais, inveterado jogador de xadrez, casado, duas filhas pequenas, procurou esquecer o acontecido e continuar sua pacata vidinha. “Perón não me interessa, a revolução não me interessa. Posso voltar ao jogo de xadrez? Posso. Ao xadrez e à literatura fantástica que leio; aos contos policiais que escrevo; ao romance ‘sério’ que planejo para daqui a uns anos, e mais algumas outras coisas que faço para ganhar a vida e que chamo jornalismo, embora não seja”.

Nariz na porta

Uns meses depois, um amigo lhe desliza uma informação: “Tem um fuzilado que vive”. Naquela noite de 9 para dez de junho, um par de horas antes da decretação da lei marcial, a polícia provincial levou treze homens para um lixão e os fuzilou. O jornalista decide investigar.

Os seus motivos? “Não sei o que me atrai em toda essa história difusa, distante, cheia de improbabilidades”. Quer dar um furo jornalístico, depois lembrará. Ou talvez recorde a voz do soldado morto, naquela noite, sem que tivesse feito nada para ajudá-lo. Ou porque sente vergonha, como depois confessará, ao se encontrar com Livraga, “o fuzilado que vive”, quando este desabotoa a camisa para mostrar a marca da bala. O fato é que se apressa a escrever, temendo que alguém saia na frente dele. Mas, depois, percorre os jornais de circulação nacional e dá com o nariz na porta. Termina publicando numa folha sindical que fi cava pendurada nos quiosques.

Os fuzilados daquela noite não tinham qualquer relação com o levante. Tornaram-se suspeitos de rebelião apenas por serem trabalhadores (e peronistas). Mas aquele putsch pegou quase de surpresa a todos. Quem mais sabia dele era o próprio governo. Dois oficiais legalistas do Exército e alguns civis reuniram uma espécie de “armada Brancaleone”. Os sindicatos tinham sido arrancados das mãos dos trabalhadores, e estes estavam completamente desorganizados. Os treze fuzilados de 9 de junho, longe dos acontecimentos políticos, estavam reunidos na casa de um vizinho, num subúrbio de Buenos Aires, apenas para ouvir a transmissão radiofônica de uma luta de box.

Repercussão

O governo reconhece os fuzilamentos dos líderes, que ocorreram após a promulgação da lei marcial, mas nada diz do outro massacre: o do lixão. A folha sindical começa a circular com as poucas informações reunidas. Timidamente, outras testemunhas vão se aproximando. A grande imprensa é obrigada a se pronunciar. E o governo, através dela. O fuzilamento foi ilegal. Estava fora, inclusive, da própria legalidade do governo militar, pois o massacre aconteceu antes da decretação da lei marcial.

O jornalista é ameaçado. Abandonando sua vida pacata, esconde-se num subúrbio, consegue um documento falso e passa a andar com uma arma de pequeno calibre. À primeira matéria, soma-se outra e mais outra. Cada nova folha sindical é esperada nos quiosques, como um novo capítulo da novela, pelos trabalhadores que, naquela noite, também tinham ouvido a transmissão da luta de box e, agora, pensam que aquilo que aconteceu com os treze bem podia ter acontecido também com eles. A “novela” vai crescendo. Em março de 1957, um editor se atreve a publicar a reportagem de investigação, num livro que o jornalista e escritor Rodolfo Walsh chama de Operação Massacre.

O texto é, ao mesmo tempo, uma descrição dos acontecimentos, um diário de investigação, uma peça de acusação do crime de Estado e o relato da conversão do jornalista. Walsh disse: “Operação Massacre mudou minha vida. Escrevendo-a, compreendi que, além das minhas perplexidades íntimas, existia um ameaçante mundo exterior”.

Ritmo vertiginoso

Na primeira parte – “Os personagens” –, um retrato de cada um dos treze fuzilados, alonga-se no seu cotidiano de trabalhadores suburbanos, na jornada de 9 de junho, até o momento em que se reúnem, na noite, em torno do aparelho de rádio. Quando chega à segunda parte – “Fatos” –, o texto passa a ter um ritmo vertiginoso, com frases curtas e em tempo presente. A escrita é “ofegante”. O ponto de vista é aquele dos fuzilados. Na hora do massacre, um subtítulo anuncia: “Tempo se detém”. A experiência é vivida como uma alucinação, perde-se a noção do tempo, que é, justamente, a prova do crime de Estado. A terceira parte – “Evidências” – é o relato da batalha das versões. O crime de Estado é duplo: assassina e oculta o assassinato. A tarefa do jornalista-detetive é construir a história com os relatos fragmentados dos sobreviventes e das testemunhas, desmontando as sucessivas versões ofi ciais.

Rodolfo Walsh havia comemorado o golpe que derrubou Perón e, como a maioria dos intelectuais da época, detestava os peronistas. Havia escrito dois artigos a favor da ditadura militar. Mas ouviu o soldado que não morreu gritando, como ele esperava, “Viva a pátria!”. Morreu defendendo, obrigado, as posições do governo. Alguma coisa não encaixava, e o jornalista queria entender. Aproximou-se das testemunhas, visitou suas casas, viu de perto a vida que os trabalhadores peronistas levavam. Não eram “heróis” de cinema. Como o próprio Walsh, eram homens e mulheres que se atreviam a denunciar a ditadura. Operação Massacre, a investigação e a escrita, é também a história da transformação do seu autor.

Militância

Walsh tornou-se um jornalista e escritor militante. Abandonou o gênero policial para se dedicar à investigação de crimes de Estado, como o assassinato de um advogado, ponta visível de uma guerra interna das Forças Armadas pelo controle dos grandes jornais. Mas nunca abandonou a literatura ficcional. Continuou escrevendo, mesmo não publicando. Para ele, a literatura ficcional era um espaço de experimentação e refl exão, um método de conhecimento. Os seus achados formais migraram da fi cção para o jornalismo e vice-versa, na procura para encontrar o tom justo, o ritmo necessário, a palavra mais adequada para dar conta da realidade, para provocar um efeito de leitura. A literatura é, dizia ele, “um avanço laborioso através da própria estupidez”.

A convite de Jorge Ricardo Masetti, um dos homens de confi ança de Ernesto Guevara, Walsh foi a Cuba para se integrar à recém-fundada agência de notícias Prensa Latina. Sem querer, num plantão da agência, descobriu uma mensagem cifrada, que chegou por engano, para a máquina de telex. Com a ajuda de um pequeno manual, conseguiu decifrá-la: continha informações sobre a invasão à Baía dos Porcos. De alguma maneira, continuou fazendo tarefas de inteligência e contrainteligência.

Comunicação popular

Voltou para Argentina, onde dirigiu o semanário CGT, da central combativa dos trabalhadores, com correspondentes em todos os locais de trabalho. Já à frente de uma rede popular de informação, investigou outro crime, a morte de um sindicalista pelego, que revelava toda uma trama que associava dirigentes sindicais, empresários e o aparelho repressivo do Estado. Essa investigação e sua divulgação contribuíram para a formação de uma corrente socialista no movimento sindical. Na central dos trabalhadores, redigiu, em 1973, o Programa da CGT: fundamentais para derrubar a ditadura e erigir um governo popular. Nesse contexto, entrou para a organização Montoneros, onde se ocupou do setor de comunicação, de inteligência e contrainteligência.

Na noite de 24 de março de 1977, um ano exato depois do golpe de Estado e uns poucos meses depois da morte da sua fi lha mais velha, também jornalista e militante, num enfrentamento com as Forças Armadas, Walsh escreveu uma carta e um conto. Ele já vinha questionando a crescente orientação militarista e o abandono do trabalho de base pela direção dos Montoneros.

Começou a produzir cartas que assinava pessoalmente e colocava nas caixas de correio. Já não podia falar em nome de um coletivo, falava em nome próprio e assumia o risco. No conto que escreveu naquela noite, Juan se iba por el río, um gaúcho atravessava o rio da Prata a cavalo durante uma maré baixa excepcional. O relato acaba com Juan no meio do leito e a maré subindo.

Profecia

A carta era um balanço do primeiro ano do governo militar. Não coincidia com a avaliação de Montoneros. Walsh via a repressão como parte de uma estratégia para desmontar a economia nacional e submeter as forças produtivas aos interesses imperialistas. Era um diagnóstico precoce do que aconteceria ao longo dos anos seguintes. Termina o texto “sem a esperança de ser escutado, com a certeza de ser perseguido”.

No dia seguinte, foi emboscado na rua. Respondeu com uma arma de pequeno calibre, que mais servia para evitar que o aprisionassem vivo. Seu corpo e os seus escritos inéditos desapareceram. As cartas pessoais procuravam recuperar aquilo que ele tinha experimentado com Operação Massacre: queria se dirigir não aos heróis de cinemas, mas aos homens e às mulheres comuns que ousassem um gesto de liberdade.

Operação Massacre acaba de ser publicada em português. A sua leitura é uma oportunidade para que nos apropriemos dos procedimentos de investigação de Walsh e da sua escrita de alta efi ciência literária e militante.

Silvia Adoue é argentina radicada no Brasil, mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo, doutora em literatura latinoamericana pela FFLCH-USP e professora da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).

Igualdade racial e o debate no twitter

17 jun

Há que se pretende uma rede social? Fazer amigos? Ampliar contatos profissionais? Resgatar amores e amigos do passado? Debater assuntos banais? Se aprofundar sobre temas importantes e interessantes?

Talvez, hoje, as redes sociais se destinam a tudo isso e (infelizmente) a outras coisas mais, que nem sempre são positivas e descambam para o ilegal. Mas hoje ver o tema da Igualdade racial entre os Top Trend Brasil (uma espécie de ranking dos termos mais postados) no Twitter me estimulou a acompanhar o debate.

As opiniões são diversas e variam do preconceituoso ao esclarecido sobre o tema. Olhando por um lado acho que as opiniões independem. Somente a oportunidade de se debater o tema na rede já é em si muito valioso.

O Estatuto
O Estatuto da Igualdade Racial é um projeto de Lei de autoria do Senador Paulo Paim (PT-RS), que tramita há sete anos no Congresso. O projeto estabelece que o poder público deve adotar programas de ação afirmativa para tentar reduzir as desigualdades étnicas.

Nesta quarta-feira, o Senado aprovou o Estatuto sem alterações e agora o texto segue para sansão presidencial.

Entre as alterações ocorridas, está a substituição do termo desigualdade racial por desigualdade étnica. O projeto reafirma a liberdade de culto religioso, já previsto na Constituição Federal assim como reafirma a obrigatoriedade do ensino de História Geral da África e História Geral da População Negra no Brasil nos ensinos fundamental e médio, como já previsto em lei.

O PLS também determina que os governos incentivem pesquisas de temas de interesse dos negros e a inclusão de alunos negros nos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Através de políticas públicas, o princípio da saúde da população negra será garantido pelo poder público prevê o texto. Além disso, prioridades sanitárias e de redução de morte natural ou violenta de negros em todas as idades serão providenciadas.

Na toada de reconhecer direitos já garantidos estão o direito à propriedade de populações que ocupam antigos quilombos, o direito à moradia adequada e o reconhecimento das sociedades negras, clubes e outras formas de manifestações coletivas.

O que saiu
Entre as alterações no texto, estão a criação de cotas para negros nas escolas, a criação de incentivos fiscais para empresas com mais de 20% de funcionários negros, a reparação à população negra por prejuízos relacionados à discriminação racial e a cota de 10% para negros em partidos políticos e em coligações partidárias. Todos estes assuntos foram retirados do PLS original.

Por Adriana Franco

Os caras amassadas e a imprensa livre

27 mai

A ONG Repórteres sem Fronteira criou uma ótima campanha em prol da liberdade de imprensa. Com a foto de 3 dos 40 maiores predadores da liberdade de imprensa com o rosto amassado em páginas de revistas, a ONG quer mostrar que apenas sem eles a liberdade de imprense estará garantida. Se contra o Collor o Brasil tinha os caras pintadas, contra a liberdade de imprensa a Repórteres Sem Fronteira tem os caras amassadas.

A ideia genial tem como ”garotos propaganda” os presidentes Mahmoud Ahmadinejad, do Irã; Kim Jong Il, da Coreia do Norte; e Mauammar Kadafi, da Líbia.

A campanha, da Saatchi & Saatchi e dos artistas Sthephen J. Shanabrook e Veronika Georgieva, ainda inclui um vídeo que mostra os garotos propagandas serem lentamente amassados. Ao final, o slogan diz:  Somente a imprensa livre pode feri-los.

Veja o vídeo:

O homem sem fome e o jornalismo inapetente

20 mai

O mestre iogue Prahlad Jani, da Índia, tem 83 anos. Afirma que há mais de 70 não come nada. E passa bem. Há poucos dias, ele se deixou internarnum hospital na cidade de Ahmedabad, onde uma equipe de 30 médicos, escolhida pelo Ministério da Defesa indiano, dedicou-se a monitorá-lo minuto a minuto.Os resultados divulgados são simplesmente inacreditáveis: ao menos durante o período em que esteve sob vigilância, o religioso efetivamente não ingeriu nem expeliu coisa alguma.

Como? É verdade? Bem, quem quiser saber mais sobre a história talvez apanhe um pouco. As notícias são escassas e vagas. Há referências a Prahlad Jani em sites variados, mas a internet é generosa e abundante em relatos que não merecem crédito. De calúnias contra os candidatos à Presidência da República (fantasias de mau gosto) a depoimentos minuciosos sobre excursões em discos voadores (mirações “do bem”), o inacreditável é o que não falta. O caso do iogue, porém, foi registrado no Brasil em publicações sérias. Dou apenas dois exemplos. Este diário,em sua edição de 11 de maio, deu poucas linhas a respeito, na página A20: Iogue hindu não come nem bebe. No sábado, a revista Época trouxe algo mais alentado: duas páginas com mais dados e algumas ironias – como chamar o iogue de “autossustentável” e afirmar que, ao não comer nada, o mestre hindu realizou “o sonho de boa parte das mulheres”.

Piadas à parte, das duas, uma: ou estamos diante de um embuste desprezível (e ainda não desmascarado) ou diante de um fenômeno que põe em xeque o que imaginamos saber sobre biologia. Difícil pensar num acontecimento mais interessante e de maior relevância. Mesmo assim, a maior parte da imprensa dá de ombros. A revista Época, que procurou apurar um pouco mais, foi ouvir o médico cardiologista Nabil Ghorayeb, do Hospital do Coração, em São Paulo, que descartou a hipótese sem a menor hesitação: “Isso não existe, você não pode ficar sem nutrientes. De algum lugar ele tem de tirar.”É como se ele decretasse: se esse tal de Prahlad Jani existe de verdade, ele precisa ser “desinventado” o quanto antes, pois não anda muito de acordo com os nossos cânones. É claro que Ghorayeb tem sua razão: não há registro de uma célula que viva e se reproduza sem captar do exterior os tais “nutrientes”, devolvendo ao exterior, depois, os, digamos assim, dejetos. Mas, se o cardiologista está certo, esse iogue é um impostor? A incerteza do leitor aumenta.

De seu lado, Prahlad Jani está aí, imperturbável. Ele não está lá longe, na cidade indiana de Ahmedabad: está bem próximo, na página do Estadão e também nas duas páginas da Época. Ele foi registrado como um fato jornalístico, ainda que meio discutível. Aparece no noticiário com algum índice de veracidade. Mais ainda: vem sendo estudado por um grupo de cientistas, dentro deparâmetros metodológicos aparentemente rigorosos. E se aí está, com o estatuto de fato jornalístico, por que não surgem reportagens mais conclusivas sobre ele? Por que a indiferença?

É bom anotar, estamos falando de uma indiferença reincidente. Há poucos anos, em 2003,uma pesquisa semelhante com o mesmo personagem apareceu na nossa imprensa e, também naquela ocasião, nada mais se falou. Agora, nesta semana, ele reaparece. Com a saúde perfeita, afirmam os médicos que o examinaram. Mentira? Verdade?

Às vezes bate na gente a sensação de que o mais fascinante da existência passa a milhares de quilômetros dos jornais que a gente lê. Às vezes o leitor experimenta o incômodo dese sentir mais curioso do que o jornalista que é pago para informá-lo. Esse iogue vem para nos fazer experimentar o mesmo incômodo. Ou os jornais demonstram a farsa, ou têm de ir mais fundo. Quando não optam nem por uma alternativanem por outra, parece que não se incomodam com aquilo que nos aproxima da fronteira do desconhecido, o que deveria ser parte da inquietação jornalística.

Há mais de 20 anos eu li pela primeira vez a comparação que depois se tornaria um lugar-comum nos debates sobre a mídia: uma única edição do jornal The New York Times contém “mais informação do que o comum dos mortais poderia receber durante toda a sua vida na Inglaterra do século XVII”. A frase aparece no livro Ansiedade de Informação, e Richard Saul Wurman. Nunca acreditei muito nela, por um motivo elementar: o que os jornais chamam de informação é uma parte ínfima, exígua, das múltiplas manifestações com que fazemos contato diariamente. Quais eram as informações relevantes para um inglês do século 17? O dia em que as folhas começavam a cair das árvores? O sonho que ele teve na véspera? A gente não sabe – e esse tipo de coisa não sai no New York Times.

No mais, acreditamos que o desconhecido seja matéria para a ciência, não para o jornalismo. E quanto à ciência, ela mesma não passa de uma chama de vela tentando iluminar a escuridão, como Carl Sagan gostava de dizer. Em matéria de ciência, nós não sabemos quase nada. E em matéria de jornalismo, nós nos perguntamos menos ainda. Inclusive sobre ciência.

E então? Quem é esse homem que diz não precisar do “pão nosso de cada dia”? Por acaso ele sabe rezar o Pai-Nosso? Ou também não precisa? Num mundo sufocado pelas necessidades artificiais, em que vamos aos tropeções, em massas compactas de seres que se sentem solitários, famintos de afeto, de prazeres intoxicantes, de deuses que nos acudam, de um copo d’água, de uma esmola, de aparecer na coluna social fazendo caridade, de azeite “trufado”,qual o significado de um iogue que não sente fome? Será que ele sente desejo? Talvez até exista vida depois da morte, mas pode existir vida além do desejo de viver? Que pergunta nos espreita nos olhos plácidos de Prahlad Jani?

E que jornalismo é o nosso, que não encara essa pergunta?

Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP

Prêmio Top Blog 2010

19 mai

Como falei há alguns posts, de vez em quando recebo gratos retornos pelo blog e pelo meu exercício eterno de praticar um jornalismo mais engajado, social, interessado e, principalmente, interessante.

Embora pequeno, o retorno me enche de gás e me faz acreditar que é possível mudar e melhorar o mundo através do exercício da profissão que escolhi pra vida inteira.

Pensando nisso, acabei inscrevendo o blog no prêmio TOP BLOG 2010 na categoria variedades. Como não tem nenhuma categoria que se iguale ao jornalismo social, engajado ou que tais, inscrevi em variedades como determina o regulamento.

Já pedi o voto dos conhecidos. E você, que passa aqui, se achar que o blog vale o seu voto, fique à vontade. Basta clicar no logo na barra lateral e votar. A casa agradece!

Sobre os emails que chegam

12 mai

De vez em quando chovem emails sobre este blog na minha caixa de entrada. Não é sempre, é verdade, mas sempre que acontece eu tento responder e ser o mais acessível possível.

Já teve email de quem se encontrou citado – tanto pessoa quanto instituição –, mas a maioria são estudantes fazendo trabalhos sobre o terceiro setor ou sobre algum tema que citei aqui.

Posso dizer que 90% dos emails são pedindo ajuda para trabalhos e TCCs. Eu sempre tento ajudar.

Às vezes indico sites, fontes, por onde caminhar, dou palpites. Enfim, to virando praticamente consultora na área (risos), mas é muito gostoso.

Dias desses, uma menina me pediu uma entrevista. Gostei e ao mesmo tempo fiquei super apreensiva. Mas eu, dando entrevistas? Será que consigo, que sou capaz, que vai dar certo? Estas foram as primeiras perguntas que me vieram em mente. O meu medo mesmo era não me achar a pessoa certa para isso, capacitada para tal.

Depois, quando vieram as perguntas, acabei achando uma delicinha. Estar do lado de lá, até que também é bem legal.

Segue, abaixo, a entrevista.

Explique os motivos que te levaram a se interessar pelo Jornalismo Social?

Eu não sei precisar os motivos que me levaram ao jornalismo social. Em suma, jornalismo é jornalismo em qualquer segmento: tem que apurar, escrever, editar, mas acima de tudo tem que ter interesse. Interesse de quem lê e foi neste sentido e por este motivo que o jornalismo com os anos acabou segmentado em áreas específicas: meio ambiente, esporte, econômico, político, e também o social. Na verdade, todo jornalismo é social a medida que trata com a sociedade e suas questões e também se torna mediador entre Estado e Sociedade, instrumento de fiscalização do poder.

Acima de tudo eu acredito no poder do jornalismo tanto como instrumento de transformação social como ferramenta para tal. Mas para que isso aconteça tem que ser feito com um outro olhar, sob um outro viés, levando em consideração questões ora políticas, ora econômicas, ora culturais, enfim… Acho que eu encontro muito dessas possibilidades (de transformação, de educação, de formação) justamente no jornalismo social. Eu sempre acreditei que podia mudar o mundo através do jornalismo e, com o tempo, eu descobri que isso pode ser possível através de um jornalismo ativo, político – e por quê não engajado? -, ou seja, através do jornalismo social.

Como você considera o espaço dado pela mídia para esse segmento?

A grande imprensa dá bem pouco espaço para o jornalismo social. Mas hoje já é possível encontrar meios específicos que abordam este tipo de jornalismo. A Agência Repórter Brasil (http://www.reporterbrasil.org.br/) é um exemplo assim como a Agência Carta Maior, o Jornal Brasil de Fato, entre tantos outros veículos. Cada tratamento da informação tem o seu público cativo, pois da mesma forma que a grande imprensa tem seu público estes outros meios também têm. Claro que não possuem a mesma audiência, mas não deixam de ser lidos.

A grande imprensa também possui jornalistas engajados e atentos ao jornalismo social. Acho que o jornalismo social está sim presente na grande mídia, mas com bem menos destaque que o jornalismo político e econômico.

Os temas sociais são de interesse da sociedade?

Claro! Aliás, eu arrisco dizer que são os assuntos de mais interesse da sociedade. Quem, por exemplo, não precisa saber que existe uma lei que protege as mulheres da violência doméstica como a Lei Maria da Penha? Quem não precisa saber que leis protegem as crianças e os adolescentes ou, por exemplo, que a comunicação é um direito público e por isso as redes de rádio e televisão tem responsabilidades sociais perante à sociedade, pois só funcionam através de uma concessão pública. Enfim, basicamente o jornalismo social trata de questões relevantes e extremamente significantes para a sociedade e, por isso, é muito importante. No entanto, nem sempre a sociedade sabe disso ou tem formas de buscar mais essa necessidade.

Qual é a sua opinião sobre os documentários sociais produzidos no Brasil?

Não sei exatamente como é isso no Brasil. Mas tenho percebido a produção de documentários com temas bastante interessante nos últimos anos, como é o caso dos filmes A pessoa é para o que nasce, Do luto à luta, Estamira, Doutores da Alegria – o filme, entre outros. Todos eles tratam de questões brasileiras importantes como a pobreza, deficiências físicas, mentais ou problemas como a síndrome de down, e trazem à tona problemas sociais brasileiros muito presentes, mas que ficam na maioria das vezes muito escondidos dos debates sociais ou das lentes da grande imprensa televisiva. De alguma forma, acredito que eles contribuam para que situações sejam expostas, reflexões provocas e, quem sabe, soluções propostas.

O que falta para que os documentários sejam valorizados?

Falta espaço e falta coragem. A única televisão aberta que conheço passando documentários é a TV Cultura. Nenhuma outra emissora ousa dispor sua audiência e seu público a temas tratados em um formato mais sério, como é feito através dos documentários. Ao mesmo tempo que as emissoras não se dispõem a veicular um documentário porque acredita que seu público não vai gostar ela sabe, através de pesquisas de mercado e de medição de ibope, que seu público não assiste a este tipo de programação, ou seja, é uma faca de dois gumes.

Um documentário pode servir para conscientizar e mobilizar as pessoas?

Claro. Acho que é uma ótima forma de mostrar um problema aos telespectadores. O formato documentário, através de suas entrevistas e apresentação dos fatos, é uma ótima forma para esclarecer sem deixar dúvidas. A apresentação de informação através de diversos entrevistados sejam eles personagens ou especialistas faz com que tudo esteja claro e, consequentemente, seja mais aceito por quem assiste. Acho também que este formato, como disse anteriormente, acaba resultando em reflexão, debate e até mesmo na busca de soluções. Invariavelmente um documentário aponta caminhos ou então nos deixa dúvidas que precisam ser resolvidas para que histórias quando tristes não sejam repetidas e quando alegres sejam amplamente difundidas.

Porque você criou um blog sobre jornalismo social e qual é o retorno dos internautas?

Quanto ao blog, eu criei em uma época que sai do movimento social para trabalhar em um banco, me afastando desta área social e engajada que eu gosto. Então, para não perder o contato acabei criando o blog e também para escrever notícias de cunho mais social e praticar esta escrita e aprofundamento destas questões em um meio de mais difusão, que é a internet. Além disso, acho que criar um blog nesta temática incentiva que pessoas leiam este lado mais humano das noticias e se preocupem com esta questão e também incentiva que outras pessoas escrevam sobre isso.

O retorno dos internautas é bem pequeno. Tem época que muitos estudantes me procuram pedindo, assim como você, ajuda para TCC ou onde encontrar determinadas informações para trabalhos acadêmicos. De vez em quando, quando cito alguma organização, as organizações acabam encontrando o blog e retornam, agradecem e acabamos criando laços solidários e de troca constante de informações sobre determinada “temática” do jornalismo social. Certa vez, o que é até engraçado, achei o blog de um moçambicano e repercuti uma notícia dele. Ele, claro, achou o blog em uma busca e acabamos trocando várias informações. Isso é sempre legal porque a gente acaba achando outras fontes e pessoas com o mesmo interesse. Enfim, o blog serve em suma para unir pessoas com o mesmo interesse e os mesmos pontos de vista.

Lei Maria da Penha com avanços, mas lutando contra os retrocessos

16 mar

A violência doméstica é um dos problemas mais graves e frequentemente enfrentado pelas mulheres. Para coibir e erradicar a prática, uma luta política foi travada até que se resultasse na lei nº 11.340/06 – popularmente conhecida como Lei Maria da Penha (LMP) –, que promove proteção às mulheres vítimas de agressão por parte de um companheiro.

De janeiro a junho de 2009, mais de 161 mil casos foram atendidos nas 400 delegacias da mulher de todo o País. Em mais de três anos de funcionamento, a Lei trouxe diversos benefícios como o aumento do tempo máximo de prisão de um para três anos.

A Lei 11.340/06 também alterou o Código Penal permitindo que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham suas prisões preventivas decretadas e, principalmente, acaba com as penas alternativas que, antigamente, condenavam o homem apenas a pagar cestas básicas ou multas. Além disso, alterou a Lei de Execuções Penais permitindo que o juiz determine o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e re-educação.

As medidas promovidas pela lei não atingem apenas ao agressor. A mulher agredida, a que está em situação de agressão e a que corre risco de vida têm a seu favor diversas outras garantias, tais como a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o direito de reaver seus bens e cancelar procurações feita em nome do agressor.

No âmbito laboral, a mulher também poderá ficar até seis meses afastada do trabalho sem perder o emprego caso seja constatada a necessidade de manutenção de sua integridade física ou psicológica.

Entre os avanços sociais da Lei, um dos mais importantes em termos protetivos é a caracterização da violência psicológica como violência doméstica. A LMP define qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, dano moral ou matrimonial como formas de violência doméstica.

Retrocessos

Embora represente tantos avanços, a Lei Maria da Penha vem sofrendo diversos ataques que podem intervir em sua eficácia ou até mesmo extinguir a lei. Este é o exemplo de diversos projetos de lei (PL) que tramitam no Senado.

Entre as propostas mais prejudiciais está o PL 156/09 de autoria de José Sarney (PMDB-AP), que altera o Código de Processo Penal, tornando a Lei Maria da Penha vazia e sem eficácia. Com isso, a volta dos acordões e do pagamento de penas alternativas pode acontecer.

A aprovação do PL em primeira votação ainda não alterou os benefícios trazidos pela lei 11.340/06, mas o projeto segue em apreciação. A próxima comissão a analisá-lo será a de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Embora o texto final do PL garanta que as medidas cautelares da LPM poderão ser adotadas isolada ou cumulativamente outras atitudes precisam ser tomadas contra este retrocesso.

Levando isso em consideração, o Governo Federal, através Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), e movimentos feministas e de gênero estão lutando para garantir a integridade dos avanços conquistados com a Lei Maria da Penha. Debates, discussões e eventos aconteceram e culminaram na redação de emendas que substituem partes do PL de Sarney e asseguram a boa aplicação da LMP. Ao todo, nove emendas foram construídas e serão inseridas através do relatório da senadora Serys Sihessarenko (PT-MT), coordenadora da bancada feminina no Senado e a única mulher sub-relatora que apreciará o projeto.

Neste primeiro instante, a inclusão das nove emendas garantem à manutenção dos benefícios trazidos pela Lei Maria da Penha. No entanto, movimentos sindical, sociais e feministas precisam manter-se alerta e monitorando as demais etapas do processo legislativo pelo qual o PL 156/09 passará e realizar pressão que os senadores de todos os partidos não aprovem a proposta.

Outros PLs prejudiciais

O PL 156/09 é de grande expressão para o retrocesso das garantias já conquistadas às mulheres, mas não é o único que pode afetar a Lei Maria da Penha.

Pensando nisso, o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea) reuniu em um documento todas as proposições que estão em tramitação no Senado e, de alguma forma, podem prejudicar a LMP.

Além de constar o PL 156/09, o documento reúne outras 12 propostas sendo que 11 são negativas de alguma forma.

Entre as proposições em tramitação, as propostas 390/07 de Nilmar Ruiz (DEM-TO), 344/07 de Solange Amaral (DEM-RJ) e o já citado 156/09 tornam a LMP sem efeito, esvaziando sua proposta ao alterar dispositivos imprescindíveis para sua aplicação efetiva. O PLS 592/07 de Marcelo Crivella também faz com que a Lei fique sem valor, fazendo voltar a vigorar às mesmas regras de antes, permitindo que o acórdão seja feito e a pena seja paga com penas alternativas como o pagamento de multas ou de cestas básicas.

Já os PLs 3047/08 de Sandes Junior (PP-GO), 4367/08 de Elcione Barbalho (PMDB-PA), 338/08 de DR. Talmir (PV-SP), 3423/08 de José Linhares (PP/CE) e 5297/09 de Dalva Figueiredo são claros retrocessos ao deixar de garantir certos benefícios impostos pela Lei Maria da Penha.

O PL 3564/08 de Íris de Araújo (PMDB-GO) desvia o foco de proteção às mulheres ao sugerir a inclusão de crianças, adolescentes, idosos e portadores de necessidades especiais na Lei 11.340/06. Embora crianças, adolescentes, idosos e portadores de necessidades especiais mereçam proteção é importante ressaltar que eles já estão enquadrados em legislações e estatutos específicos que garantem seus direitos e promovem sua proteção.

Por último, os PLs de Gonzaga Patriota (PSB-PE) pretendem criar mecanismos para coibir a violência contra o homem e sugerem a criação do Estatuto de Saúde e Segurança Doméstica e Familiar do Homem. Vale ressaltar que as pesquisas não indicam a necessidade de tais medidas especiais de proteção aos homens, pois a violência doméstica se dá contra as mulheres. O homem é afetado pela violência pública e, para este caso, o Código Penal já garante sua proteção.

Exceção

A único PL incluso na lista do CFemea e que não prejudica à Lei Maria da Penha é o de Maria do Rosário (PT-RS) de nº 2431/07.

O projeto dispõe sobre a inclusão nos currículos escolares de conteúdos e práticas que contribuam para que o combate à violência doméstica contra a mulher. Embora a lei já inclua em seu artigo 8º disposições semelhantes, o PL irá reforçar sua aplicação.

Medidas

Uma medida que pode e deve ser adotada por todos é o envio de e-mails aos senadores solicitando o veto aos projetos que prejudicam a Lei Maria da Penha e representam claramente retrocessos nas conquistas femininas.

A pressão sob os senadores é de vital importância para a conquista de nossos direitos, portanto, não deixe de manifestar-se contra os projetos que retiram direitos conquistados e já garantidos.

Para saber mais sobre as propostas que afetam a Lei Maria da Penha, acesse o documento elaborado pelo CFemea.

Dica de site: Crianças & Mídia

19 fev

A pesquisa do blog (na coluna aí ao lado) indica Jornalismo & Imprensa e Crianças & Adolescentes como os temas de mais importância e mais interesse por quem visitou o blog. Cada um tem 28% da preferência de quem votou. O resultado vem a calhar com um blog que achei recentemente: Criança & Mídia.

O blog, criado em 2008, é mantido pela jornalista e mestra em História Social da Cultura Elisa Araujo. O site traz notícias de todo o universo infanto-juvenil. Desde críticas a propagandas a lançamentos de produtos para estes públicos, como o recente post sobre o lançamento de novas Barbies, passando, claro por dicas de documentários que abordam ou tratam de crianças e adolescentes. Saúde, Ciência, Comportamento, Educação, Eventos e Escola também estão entre os marcadores do blog.

Achei o blog muito interessante, por isso, recomendo. Vale a visita!

Acesse: http://criancasemidia.blogspot.com/

Trabalhos vencedores do Herzog estão na internet

30 out

A série de reportagens vencedoras do Prêmio Wladimir Herzog de Anistia e de Direitos Humanos desde a sua primeira edição, em 1979, já está disponível para no endereço eletrônico: www.premiowladimirherzong.org.br. Voltado especialmente para estudantes, pesquisadores e jornalistas, o novo site permite resgatar histórias de pessoas injustiçadas e outros temas em defesa da cidadania, publicados em fotos, vídeos, textos de jornais, revistas, na internet ou transmitidos pelo rádio e pela TV.

O serviço é um projeto desenvolvido em conjunto pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, o Centro de Informação da Organizações das Nações Unidas (ONU), o Instituto Vladimir Herzog e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJPESP). Para os organizadores, o site permitirá à sociedade uma reflexão sobre a importância do exercício da cidadania.

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, disse que a população poderá acompanhar alguns episódios marcantes do passado recente, como alguns efeitos do golpe militar de 1964, “que deixou marcas profundas da violência que o Brasil enfrenta até hoje”. Segundo ele, “essa batalha tem um novo patamar não é mais a luta defensiva da trincheira de quem fica escondido, resistindo para não deixar de ser dizimado pelo ‘trator’ da proibição e do esquecimento”. “Agora, não. Saímos da trincheira e produzimos sites, livros, produzimos peças de teatro, filmes, reconstruções históricas, e tem de estar centrado muito em cima da formação do estudante, do ensino básico ao universitário, do ensino do jornalismo e de outras áreas outras do ensino universitário”, disse.

Como integrante dos movimentos que enfrentaram a ditadura militar, o ministro observou que “uma juventude abriu mão de situações confortáveis e derramou o seu sangue, resistindo a um regime de censura, de cassação, de proibição, de tortura, de morte e de desaparecimento de opositores”. Vannuchi voltou a defender que os algozes reconheçam os crimes praticados. Para ele, só depois disso é que se poderá discutir a possibilidade de penas alternativas.

A primeira reportagem ganhadora do prêmio Wladimir Herzog é de autoria do jornalista Ricardo Carvalho, em que ele retratou o drama do sertanejo José Aparecido Galdino, que foi parar em um manicômio em 1969, por ter-se manifestado contra a construção da represa de Ilha Solteira. Presente à solenidade de lançamento do site, o jornalista contou que teve “um agradável susto”, ao ver na internet a série de textos que escreveu sobre o caso.

“Bateu uma forte emoção e essa memória tem de ser resgatada”, disse. Carvalho relembrou que foi atrás da história de Galdino depois de ouvir uma palestra do professor da Universidade de São Paulo (ESP), José de Souza Martins. Galdino, segundo define, era homem muito humilde, analfabeto e que foi detido com status de preso político apenas por protestar contra a represa que iria invadir as suas terras, em Rubinéia, no interior paulista. “Ele saiu às ruas protestando, arrumou um exército de 20 pessoas. Com um chicotinho na mão começou a pregar o não pagamento de imposto. Isso em 1969. Foi imediatamente preso, levado para a auditoria Justiça Militar, e ninguém sabia o que fazer com ele, então decidiram: põe esse louco no manicômio”, disse.

Segundo o diretor do Instituto Wladimir Herzog, o engenheiro Ivo Herzog, o material desses últimos 30 anos ainda não está completo, mas a maioria já pode ser consultada. Ivo Herzog é filho do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nas dependências do DOI-CODI de São Paulo. Nesta segunda-feira, às 19h30, no teatro do Tuca, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), nas Perdizes, zona oeste da cidade de São Paulo, será entregue o 31º Prêmio Wladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

A Agência Brasil foi vencedora da edição deste ano na categoria Analfabetismo Cultural com a reportagem multimídia Analfabetismo a Exclusão das Letras, veiculada em maio deste ano, um trabalho da repórter Amanda Cieglinski com a colaboração das sucursais de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Manaus, da equipe de fotografia e da equipe de multimídia da Empresa Brasil de Comunicações (EBC). Amanda Cieglinski também recebeu menção honrosa pelo mesmo trabalho na categoria Internet. A TV Brasil recebeu menção honrosa na categoria multimídia com a série de reportagens sobre educação de Fábio Feter.

Fonte: Portal Terra

Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara

19 out

Por Dauro Veras em DVeras em Rede

Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios “correndo por fora” da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail (em seguida publico o papo com Tatiana).

 DVeras – Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?

 Marques Casara – A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.

Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.

Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?

Casara – O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.

Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.

Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?

Casara – A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4×4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.

É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.

Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?

Casara – Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.

Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?

Casara – Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de “investigativo”. Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.

O jornalismo e a saúde

11 out

Qual é o papel do jornalista na divulgação do saber científico? Cabe ao jornalista divulgar apenas descobertas sensacionais e pesquisas científicas que podem ser nada mais nada menos que provas de causualidade?

De acordo com o filósofo da ciência Karl Popper, as descobertas científicas não provam nada e por isso não permitem que uma lógica formal seja construída. Para ele, a lei geral só é determinada quando uma refutação não se constrói, ou seja, quando ela tenta – em vão – provar que aquilo não acontece.

Já para o físico Thomas Kuhn, o saber científico funciona através dos paradigmas construídos pelas pesquisas científicas sensacionais. Para ele, os paradigmas são construídos continuadamente.

Por isso, o jornalista deve divulgar as informações de forma ativa para que torne cada cidadão um agente consciente e sabido sobre cada doença/descoberta científica de forma que possa ser cada vez mais agente no seu processo de saúde.

Com as questões bioéticas, os jornalistas também têm seu papel: conscientizar sobre cada dilema ético para se construir na sociedade um debate amplo, aberto e cidadão.

Jornalistas engajados na divulgação científica, portanto, precisam estar informados sempre e não podem permitir que este saber concentre-se com médicos e cientistas. É preciso promover uma divulgação sólida (e, de preferência, não sensacional) e embasada, de forma acessível a toda a sociedade.

É sabido que médicos e cientistas são de difícil acesso, mas é necessário quebrar os paradigmas que postulam que jornalistas não entendem médicos (e sua linguagem técnica) e, por isso, divulgarão as informações de forma errada ou catastrófica.

Jornalistas, ousem. Não fiquem presos à ditadura do saber médico. Usem outras fontes. Ministérios e médicos são boas fontes, mas o saber também está entre enfermeiros, pacientes e outros correlatos nos processos de saúde/doenças e descobertas científicas.

O Brasil é um país totalmente ativo na saúde. O ativismo no campo da saúde resultou em grandes avanços no país, como na construção do direito à saúde e de um sistema único de saúde – praticamente o único em todo o mundo. É inegável que o sistema possui problemas, mas somos (mesmo assim) exemplo para diversos países.

Por que não usar a sociedade civil articuladas e diversas ONGs atuantes nas Conferências Nacionais de Saúde (o sistema tripartite e de participação popular mais antigo no país) como fontes e exemplos de experiências sucedidas. A maioria destas organizações atua localmente com o Estado em programas de promoção da saúde e de melhora de suas populações.

O saber científico não deve ficar institucionalizado através de fontes oficiais e oficiosas. Temos que ousar se quisermos construir um jornalismo científico e de promoção da cidadania cada vez mais avançado.

Por Adriana Franco

Os direitos humanos além-mar

4 ago

Foi sem querer que cheguei a Josué Bila. Na verdade, eu cheguei a um artigo dele (publicado abaixo) e ele chegou até mim (através da republicação do artigo) e assim descobri que ele faz a mesma coisa que eu. Só que além-mar.

Achei tão interessante, principalmente porque ele me mandou um e-mail, que acabei escrevendo e resolvendo falar do blog dele.

Estou em um momento correria de evento, mas enquanto aguardo um e-mail resolvi que tinha que divulgar o blog dele.

Ele próprio define seu blog, o Bantulândia, como um blog de jornalismo pró-direitos humanos. E argumenta: “é a ferramenta prática que encontrei para debater direitos humanos; interpelar e vigiar as autoridades estatais, especialmente no que diz respeito ao cumprimento do direito (inter)nacional dos direitos humanos e na implementação das políticas públicas; denunciar e visibilizar problemas sociais; tornar agendável o que aparentemente não é prioritário e trazer reflexão contextualizada sobre Moçambique… Continuo no exílio teológico…”

O blog é bem legal e vale a visita. Clique aqui e acesse. Para saber mais sobre o Josué, clique aqui.

Em prol da comunicação comunitária

28 jul

Chacrinha já dizia que “Quem não se comunica se estrumbica.” e é neste sentido que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul desenvolveu a cartilha “Para Fazer Rádio Comunitária com ’C’ maiúsculo. O material foi desenvolvido através da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (PPGCOM).

A obra foi organizada pela professora Ilza Girardi e pelo mestrando do Programa Rodrigo Jacobus e dá sequência a um trabalho de seis anos. Anteriormente, o trabalho já tinha resultado em outra publicação: a “Cartilha (sem frescura) da Rádio Comunitária”.

A nova publicação traz um histórico das rádios comunitárias, questões da legislação e fornece informações de como montar uma rádio e está sobre licença Creative Commons e pode ser distribuída gratuitamente.

A cartilha está disponível para download em PDF. Acesse.

Por Adriana Franco

Deu aqui também

21 jul

Achei hoje mais três citações ao blog. Uma na área de imprensa do site Plante Voluntário e as outras duas na “rede social” de marcadores (em inglês, bookmarkers) do Allan Patricks.

Enquanto o site Planeta Voluntários dá um link para o post que trata da sua própria notícia (e classifica este blog como um jornal online) Allan marcou o blog por duas notícias: a da revista do IOS e a do Dia Internacional contra o Trabalho Infantil.

Muito bem. É o blog se multiplicando por aí.

Para ver os links, clique aqui e aqui.

Favela da Eletropaulo em pauta

16 jul

A matéria escrita por mim e replicada aqui foi inserida também no blog Fique por dentro da Favela.

notícia republicada no Blog foi republicada no Blog Fique por dentro Favela

notícia republicada no Blog foi republicada no Blog Fique por dentro Favela

O blog, pelo pouco que vi, reúne notícias em geral sobre favelas, suas situações, suas dificuldades tanto no Brasil como no mundo.

Adorei ter a notícia replicada lá. Se quiser saber mais sobre o blog, clique aqui.

Comunicação: a peça mais importante

23 jun

De acordo com o professor da Faculdade de Ciências da Comunicação, da Universidade Nova de Lisboa, Adriano Duarte de Rodrigues, a comunicação é peça fundamental para as guerras. “Não admira, por isso, que a fotografia, o cinema, o megafone, a telefonia, o telégrafo, a televisão tenham sido logo associados, desde os primeiros tempos ao campo militar. A história, senão a origem dos media, depende em grande parte da história das próprias armas” afirma no livro estratégias de Comunicação.

Não que eu vá falar de guerra aqui, mas sim da importância da tecnologia para a difusão de informações. Quem não se lembra da foto abaixo?

Esta e outras imagens são marcantes na história do mundo e fizeram com que algumas denúncias fossem feitas e algumas trágicas realidades, encaradas.

Desta vez, são as redes sociais juntamente com os celulares e as câmeras fotográficas portáteis que estão permitindo uma cobertura diferenciada.

A preocupação para o uso (e domínio) destas ferramentas pelos profissionais tem sido tão grande que Centro de Imprensa Estrangeira de Nova York convidou correspondentes internacionais para um workshop sobre como usar o Facebook, Twitter e LinkedIn em grandes coberturas, como a atual no Irã.

O regime de Teerã tenta bloquear a difusão destas informações, mas a rede é rápida e mais fácil de burlar (ou seria melhor dizer mais difícil de controlar?) . Ou seja, pessoas do mundo todo estão colaborando para que iranianos tenham conhecimentos de links alternativos para acessar as redes sociais e difundirem a informação.

Quem sabe, se o marco zero desta nova forma de revolução não sejam as imagens que mostram  a morte da jovem Neda Salehi Agha Soltan, que repercurtiu pelo mundo todo através do Youtube e, em seguida, pelo Twitter e pelo Facebook?

Um exemplo de publicação

17 jun
15ª edição da OS Em revista aborda a floresta amazônica

15ª edição da OS Em revista aborda a floresta amazônica

O Observatório Social não é só uma instituto de pesquisa exemplar no quesito pesquisas trabalhistas como também tem uma das publicações institucionais mais incríveis que conheço.

Além de ser escrita por quem tem um olhar diferente sobre a sociedade, a revista também tem coragem para publicar denúncias importantes, como já fez sobre o trabalho infantil em Minas Gerais e o trabalho escravo em carvoarias.

A 15ª edição acabou de sair e aborda as redes de negócios implicadas em crimes ambientais e trabalhistas. A edição divide-se em duas partes. Na primeira, revela o esquema milionário de exportação de madeira retirada ilegalmente da floresta Amazônica, que envolve empresas mundiais dos setores de pisos e móveis. Já a segunda parte mostra como funciona o comércio interno da devastação florestal, detalhando as irregularidades relacionadas aos mercados de madeira, soja e pecuária.

Escrita por gente de talento – e que felizmente eu conheço -, a revista ainda é distribuída gratuitamente ou então pode ser baixada pela internet. Para baixar em PDF, clique aqui. Para solicitar a versão impressa, entre aqui.

 

 

Fonte de consulta

22 mai

Descobri hoje que o Terra tem uma área de Cidadania e Serviços. O site poderia ser ótimo, mas não recebe informações e/ou atualizações

Para quem quer trabalhar na área, essa dificuldade é comumente encontrada, então não chega exatamente a decepcionar. Mas, poxa, se resolveram fazer uma área destinada ao tema por que será que não atualizam? Por que abandonaram e mantém no ar?

De qualquer forma, acabou se tornando uma fonte de consulta.

Quer conhecer? Entra aqui.

Programa de índio

25 abr

indio

Nos anos de 1980, a rádio USP colocou no ar um programa inteiramente voltado a dar voz aos povos indígenas. Semanalmente durante 30 minutos ia ao ar o pensamento, a voz, as idéias, os sons, as expectativas e o cotidiano sobre diversas etnias indígenas brasileiras.

A programação durou quatro anos e nove meses e era comandada por Álvaro Tukano, Biraci Brasil e Ailton Krenak. Não encontrei informações sobre o fim do programa e seus motivos, mas o fato é que agora todos os programas estão de volta no site Programa de Índio.

Através de um Edital Petrobras Cultural foi possível recuperar os 220 programas, digitalizá-los e disponibilizá-los na internet. Além do site contando a história, o site também possui um blog.

Vale a pena conferir.

Este é um bom exemplo de como deveríamos utilizar os meios de comunicação: respeitando o direito de todos se comunicarem, preservando a livre expressão, a liberdade, a inclusão e respeitando as diferenças. É por isso que ainda acredito em um mundo melhor e no potencial transformador do jornalismo como ferramenta para esta construção.

E concordo com Verônica Almeira (em A mídia e os direitos humanos, publicado no livro Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo) quando ela diz: “Os meios de comunicação de massa tiveram e têm um importante papel na divulgação, análise e fiscalização das diferentes gerações de direitos humanos e das violações dos mesmos. O trabalho da mídia fomenta e assegura a garantia da liberdade de pensamento e de expressão das múltiplas vozes que compõem uma sociedade.”

Mais um curso na área

22 abr
13ª edição do Curso Online de Desenvolvimento Humano para Jornalistas

13ª edição do Curso Online de Desenvolvimento Humano para Jornalistas

Acabei de ler o e-mail que me credenciou para o 13º Curso Online Desenvolvimento Humano para Jornalistas, realizado pela Abraji em parceria com o Instituto Ayrton Senna.

Nem preciso dizer que estou super feliz – principalmente porque cursos nesta área é tão difícil. Na edição anterior eu também tinha me cadastrado, mas não tinha sido selecionada. Mas desta vez deu certo. Até me anima mais, já que ainda não sei se vou conseguir continuar o curso da USP, devido ao novo emprego.

Agora, vou ter ainda mais bagagem para continuar aqui. Daqui a pouco vem mais posts interessantes. Mas é que a notícia é tão boa, que resolvi dividir com vocês. Além do mais, acabo difundindo mais o curso e incentivando mais pessoas a fazer.

Indicação de leitura

20 abr

Aproveitando que já citei o livro abaixo vou aproveitar para falar mais dele. O livro Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo é uma reunião de artigos sobre vários assuntos importantes.

Além de trazer a cada capítulo, a visão de um especialista – ora sobre a cobertura de imprensa, ora sobre o tema em si – e a visão da redação com um jornalista falando da cobertura e dos desafios e dificuldades de abordar o assunto tanto na mídia quanto os desafios a serem encarados pelos jornalistas, o livro traz dados de pesquisas e informações coletadas pela ANDI em algumas análises de mídia feita por ela. Ou seja, há SEMPRE embasamento.

Eu diria que o livro é leitura obrigatória para quem quer não só entrar no arenoso campo da cobertura social e responsável, mas também para todos que querem fazer boas coberturas. O livro traz muitas informações e dicas.

Eu, por exemplo, listei mais de 15 indicações bibliográficas – ah, também tem isso: ao final de cada artigo há indicações e referências bibliográficas, que acabam lhe permitindo se aprofundar ainda mais no assunto, se assim quiser – e mais de 20 itens para pesquisar sobre os temas abordados.

Eu ainda não terminei de ler, estou no penúltimo capítulo e enrolando para chegar no último e mais esperado, que tem o foco no ensino e atuação jornalística em si. Mas estou assim porque acho que vai ser o melhor capítulo e meu livro veio com um probleminha de impressão (tem 4 páginas mal impressas), que não vai me permitir ler. Enquanto não troco o livro enrolo porque estou com medo de chegar no capítulo e ficar me corroendo de vontade de ler, sem poder.

Enfim, o livro aborda Políticas Públicas, Políticas Públicas Sociais, Eleições, Oorçamento, Aavaliação das Ppolíticas Ppúblicas, Desenvolvimento Hhumano, Desigualdade e Pobreza, Direitos Humanos, Direitos da Infância, Diversidade e Foco no Ensino do Jornalismo.

Aconselho, mesmo sem ter chegado ao fim.

Serviço:
Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo
Guilherme Canela (organizador)
Editora Cortez
344 páginas

Como deveria ser

19 abr

“Acreditamos que o jornalismo, enquanto instituição central das democracias, possui uma responsabilidade diferenciada nos esforços para a proteção, promoção e garantia dos direitos humanos – e, logo, é peça chave no complexo quebra-cabeças que vincula distintos caminhos rumo a patamares mais consistentes de desenvolvimento humano, inclusivo e sustentável.

Este triângulo – democracia, desenvolvimento e direitos humanos – só tem a fortalecer-se com a prática disseminada de um jornalismo de qualidade, aquele que atua como pólo irradiador de informações contextualizadas para todos os cidadãos e cidadãs, que colabora para um debate público plural em torno das questões prioritárias para a sociedade e que se posiciona de foma destacada  no sistema de freios-e-contapesos responsável por fiscalizar a implementação de políticas públicas.”

 

Veet Vivarta e Ely Harasawa em Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo

Começando

18 abr

É difícil começar. Mas é bom. Já faz sete anos que existo na blogosfera e desde o ano passado acalento a vontadinha de fazer um blog sobre jornalismo, sobre o lado que eu escolhi da tão sonhada profissão, sobre jornalismo social (embora ache que todo jornalismo deveria ser social, mas se essa é uma forma de denominar esse jeito de atuar, que seja!).

Mas a vontade é acalentada com amor, carinho, respeito e receio. Então, fui alimentando esse desejo e não deixei me levar pelo impulso. Preferi deixar passar alguns turbilhões (que com a mudança de emprego, não terminou ainda completamente, mas eu cansei de esperar) e encarar o desafio de cabeça pensada.

Então, começo hoje, aqui e agora esse blog. Com algumas idéias do que abordarei aqui e cheia de vontade de encarar o desafio de falar sobre jornalismo, direitos humanos, direitos sociais, políticas públicas, entre outras coisas que tangem tudo isso.

Seja bem vindo!

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