O jornalismo e a saúde

Qual é o papel do jornalista na divulgação do saber científico? Cabe ao jornalista divulgar apenas descobertas sensacionais e pesquisas científicas que podem ser nada mais nada menos que provas de causualidade?

De acordo com o filósofo da ciência Karl Popper, as descobertas científicas não provam nada e por isso não permitem que uma lógica formal seja construída. Para ele, a lei geral só é determinada quando uma refutação não se constrói, ou seja, quando ela tenta – em vão – provar que aquilo não acontece.

Já para o físico Thomas Kuhn, o saber científico funciona através dos paradigmas construídos pelas pesquisas científicas sensacionais. Para ele, os paradigmas são construídos continuadamente.

Por isso, o jornalista deve divulgar as informações de forma ativa para que torne cada cidadão um agente consciente e sabido sobre cada doença/descoberta científica de forma que possa ser cada vez mais agente no seu processo de saúde.

Com as questões bioéticas, os jornalistas também têm seu papel: conscientizar sobre cada dilema ético para se construir na sociedade um debate amplo, aberto e cidadão.

Jornalistas engajados na divulgação científica, portanto, precisam estar informados sempre e não podem permitir que este saber concentre-se com médicos e cientistas. É preciso promover uma divulgação sólida (e, de preferência, não sensacional) e embasada, de forma acessível a toda a sociedade.

É sabido que médicos e cientistas são de difícil acesso, mas é necessário quebrar os paradigmas que postulam que jornalistas não entendem médicos (e sua linguagem técnica) e, por isso, divulgarão as informações de forma errada ou catastrófica.

Jornalistas, ousem. Não fiquem presos à ditadura do saber médico. Usem outras fontes. Ministérios e médicos são boas fontes, mas o saber também está entre enfermeiros, pacientes e outros correlatos nos processos de saúde/doenças e descobertas científicas.

O Brasil é um país totalmente ativo na saúde. O ativismo no campo da saúde resultou em grandes avanços no país, como na construção do direito à saúde e de um sistema único de saúde – praticamente o único em todo o mundo. É inegável que o sistema possui problemas, mas somos (mesmo assim) exemplo para diversos países.

Por que não usar a sociedade civil articuladas e diversas ONGs atuantes nas Conferências Nacionais de Saúde (o sistema tripartite e de participação popular mais antigo no país) como fontes e exemplos de experiências sucedidas. A maioria destas organizações atua localmente com o Estado em programas de promoção da saúde e de melhora de suas populações.

O saber científico não deve ficar institucionalizado através de fontes oficiais e oficiosas. Temos que ousar se quisermos construir um jornalismo científico e de promoção da cidadania cada vez mais avançado.

Por Adriana Franco

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