A operação lava-jato e a lógica tostines

Uma antiga propaganda da bolacha tostines (só no começo do texto já entreguei a idade e a paulistanice) fazia a seguinte pergunta retórica: vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinhos porque vende mais?

Hoje assistindo ao Jornal Nacional (coisa que nunca faço) me deparei com esta questões. Alguns depoimentos me fizeram pensar justamente nesta retórica. Afinal, agora todo mundo se defende e tem empresa dizendo que só pagou porque sem o pagamento não poderia executar o serviço.
Então, adoto a lógica tostines e pergunto: existe cobrador de propina (corruptor) porque existe pagador (corruptível) ou existe pagador (corruptível) porque existe cobrador (corruptor)?

Se alguém faz errado não significa que você deva fazer ou aceitar e errar junto. Afinal, se qualquer empresa tiver que pagar x para se beneficiar com y tenha certeza que y = 2x ou mais. Ou seja, ela não aceita nenhum esquema que seja ruim para ela. Ela não entra em um jogo que não seja para ganhar.

Mas agora todos são santos. Tanto quem cobrou quanto quem pagou, afinal agora a retórica tostines está em cena e enquanto empresas dizem que só pagaram porque cobraram do outro lado os diretores da Petrobras afirmam que só receberam porque as empresas pagaram. A verdade é que um pagou e não devia o que o outro cobrou e também não devia, mas em terra de delação premiada quem conta meia verdade é rei!

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