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Dica de site: Crianças & Mídia

19 fev

A pesquisa do blog (na coluna aí ao lado) indica Jornalismo & Imprensa e Crianças & Adolescentes como os temas de mais importância e mais interesse por quem visitou o blog. Cada um tem 28% da preferência de quem votou. O resultado vem a calhar com um blog que achei recentemente: Criança & Mídia.

O blog, criado em 2008, é mantido pela jornalista e mestra em História Social da Cultura Elisa Araujo. O site traz notícias de todo o universo infanto-juvenil. Desde críticas a propagandas a lançamentos de produtos para estes públicos, como o recente post sobre o lançamento de novas Barbies, passando, claro por dicas de documentários que abordam ou tratam de crianças e adolescentes. Saúde, Ciência, Comportamento, Educação, Eventos e Escola também estão entre os marcadores do blog.

Achei o blog muito interessante, por isso, recomendo. Vale a visita!

Acesse: http://criancasemidia.blogspot.com/

Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara

19 out

Por Dauro Veras em DVeras em Rede

Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios “correndo por fora” da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail (em seguida publico o papo com Tatiana).

 DVeras – Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?

 Marques Casara – A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.

Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.

Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?

Casara – O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.

Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.

Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?

Casara – A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4×4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.

É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.

Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?

Casara – Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.

Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?

Casara – Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de “investigativo”. Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.

Imigrantes são anistiados no Brasil

2 set

Para João Paulo de Campos Dorini, o movimento migratório é muito mais uma fuga do que propriamente um ato espontâneo. Para ele, junta-se à mudança o sentimento de abandono e perda da terra natal.

Desde o atentado de 11 de setembro que a política migratória internacional sobre um grande abalo e regrediu no quesito dos direitos humanos. A fiscalização aliada à bandeira de combate ao terrorismo permitiu que o xenofobismo tomasse conta em diversas situações.

Em julho, o Brasil deu um passo adiante que avança na questão e à toca como verdadeiramente merece: tratando a como um direito humano. Lula sancionou a lei 11.961, “que dispõe sobre a residência provisória para o estrangeiro em situação irregular no território nacional e dá outras providências.”

De acordo com Dorini, o Brasil cumpre uma função peculiar no atual processo migratório, apesar de sermos ainda um país em desenvolvimento. “Ao mesmo tempo em que muitos brasileiros buscam na Europa e na América do Norte o sonho de uma vida melhor, o Brasil é o destino de migrantes vindos de países ainda mais pobres, destacando-se os bolivianos, paraguaios e peruanos e, em menor escala, os colombianos e os africanos lusófonos.”

Os dados sobre imigrantes no País são incertos. O Instituto Migrações e Direitos Humanos aponta entre 250 mil e 300 mil indocumentados. O Ministério da Justiça calcula 50 mil enquanto a Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil fala em 60 mil. Os números são apenas estatísticas de uma realidade dura, afinal os imigrantes encontram-se frágeis e fora de sua terra natal, o que contribui com seu aliciamento para trabalho escravo, prostituição ou até tráfico de pessoas.

De acordo com Rosita Milesi, do Instituto Migrações e Direitos Humanos, à medida que a pobreza aumenta nos países vizinhos e que os países desenvolvidos endurecem as leis contra os imigrantes, cresce a presença de estrangeiros no Brasil. Como nem todos conseguem entrar pelas vias legais, existe um mercado clandestino de intermediários, que trazem os imigrantes para o país e os colocam em situação de semiescravidão – são os chamados “gatos” ou “coiotes”.

A ameaça de deportação é uma constante entre os ilegais. Mas, segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, a anistia chega exatamente para tentar ajudar os trabalhadores nesta condição, para que eles denunciem situações de abuso e ganhem cidadania.

O Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80), editado em plena ditadura militar, é outra lei que possibilita a regularização dos estrangeiros que atualmente vivem no Brasil é um verdadeiro farol na proteção e concretização dos direitos humanos, inclusive no plano internacional, exemplo de valorização do ser humano e de sua dignidade, pois busca integrar à nossa sociedade um grupo que historicamente sempre teve papel marcante na formação de nossa identidade cultural, os imigrantes.

A nova lei, editada em julho, anistia imigrantes que entraram no País até fevereiro de 2009 e permite que eles fixem residência temporária por dois anos. Após este período, o estrangeiro poderá fixar residência permanentemente no Brasil.

 Por Adriana Franco com informações de Fátima News e Conjur

Os direitos humanos além-mar

4 ago

Foi sem querer que cheguei a Josué Bila. Na verdade, eu cheguei a um artigo dele (publicado abaixo) e ele chegou até mim (através da republicação do artigo) e assim descobri que ele faz a mesma coisa que eu. Só que além-mar.

Achei tão interessante, principalmente porque ele me mandou um e-mail, que acabei escrevendo e resolvendo falar do blog dele.

Estou em um momento correria de evento, mas enquanto aguardo um e-mail resolvi que tinha que divulgar o blog dele.

Ele próprio define seu blog, o Bantulândia, como um blog de jornalismo pró-direitos humanos. E argumenta: “é a ferramenta prática que encontrei para debater direitos humanos; interpelar e vigiar as autoridades estatais, especialmente no que diz respeito ao cumprimento do direito (inter)nacional dos direitos humanos e na implementação das políticas públicas; denunciar e visibilizar problemas sociais; tornar agendável o que aparentemente não é prioritário e trazer reflexão contextualizada sobre Moçambique… Continuo no exílio teológico…”

O blog é bem legal e vale a visita. Clique aqui e acesse. Para saber mais sobre o Josué, clique aqui.

Comunicação: a peça mais importante

23 jun

De acordo com o professor da Faculdade de Ciências da Comunicação, da Universidade Nova de Lisboa, Adriano Duarte de Rodrigues, a comunicação é peça fundamental para as guerras. “Não admira, por isso, que a fotografia, o cinema, o megafone, a telefonia, o telégrafo, a televisão tenham sido logo associados, desde os primeiros tempos ao campo militar. A história, senão a origem dos media, depende em grande parte da história das próprias armas” afirma no livro estratégias de Comunicação.

Não que eu vá falar de guerra aqui, mas sim da importância da tecnologia para a difusão de informações. Quem não se lembra da foto abaixo?

Esta e outras imagens são marcantes na história do mundo e fizeram com que algumas denúncias fossem feitas e algumas trágicas realidades, encaradas.

Desta vez, são as redes sociais juntamente com os celulares e as câmeras fotográficas portáteis que estão permitindo uma cobertura diferenciada.

A preocupação para o uso (e domínio) destas ferramentas pelos profissionais tem sido tão grande que Centro de Imprensa Estrangeira de Nova York convidou correspondentes internacionais para um workshop sobre como usar o Facebook, Twitter e LinkedIn em grandes coberturas, como a atual no Irã.

O regime de Teerã tenta bloquear a difusão destas informações, mas a rede é rápida e mais fácil de burlar (ou seria melhor dizer mais difícil de controlar?) . Ou seja, pessoas do mundo todo estão colaborando para que iranianos tenham conhecimentos de links alternativos para acessar as redes sociais e difundirem a informação.

Quem sabe, se o marco zero desta nova forma de revolução não sejam as imagens que mostram  a morte da jovem Neda Salehi Agha Soltan, que repercurtiu pelo mundo todo através do Youtube e, em seguida, pelo Twitter e pelo Facebook?

Como deveria ser

19 abr

“Acreditamos que o jornalismo, enquanto instituição central das democracias, possui uma responsabilidade diferenciada nos esforços para a proteção, promoção e garantia dos direitos humanos – e, logo, é peça chave no complexo quebra-cabeças que vincula distintos caminhos rumo a patamares mais consistentes de desenvolvimento humano, inclusivo e sustentável.

Este triângulo – democracia, desenvolvimento e direitos humanos – só tem a fortalecer-se com a prática disseminada de um jornalismo de qualidade, aquele que atua como pólo irradiador de informações contextualizadas para todos os cidadãos e cidadãs, que colabora para um debate público plural em torno das questões prioritárias para a sociedade e que se posiciona de foma destacada  no sistema de freios-e-contapesos responsável por fiscalizar a implementação de políticas públicas.”

 

Veet Vivarta e Ely Harasawa em Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo