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A crise e os Objetivos do Milênio

7 jul

A menos da metade do prazo estabelecido para alcançar os Objetivos do Milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que os grandes adiantamentos na luta contra a pobreza e a fome tem evoluído de forma mais lenta e, às vezes, tem perdido terreno como resultado da crise econômica. 

“Não podemos permitir uma situação econômica desfavorável nos obrigue a deixar de lado os compromissos contraídos em 2000. Pelo contrário, nossos esforços para re-estabelecer o crescimento econômico devem ser considerados como uma oportunidade para tomar algumas decisões difíceis mas necessárias para criar um futuro mais equitativo e sustentável.”, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Os dados da ONU mostram que entre 1990 e 2006, a proporção de famintos no mundo passou de 20% da população para 16%. Mas o fenômeno se inverteu a partir de 2008 com a alta nos preços de alimentos e, agora, se aprofunda diante da recessão e queda na renda. Há duas semanas, a FAO alertou que pela primeira vez mais de 1 bilhão de pessoas no mundo passariam fome até o fim deste ano.

Uma das principais preocupações da organização é com a capacidade e vontade política dos governos para continuarem subsidiando programas sociais.

De acordo com o secretário-geral adjunto para assuntos econômicos e sociais, Sha Zukang, o informe de 2009 dos Objetivos do Milênio não dispõe de todos os dados para revelar o impacto da crise econômica, mas já detecta as áreas que regrediram.

Relatório 2009

De acordo com o relatório recém divulgado, os avanços mais evidentes são nas intervenções focalizadas com efeito imediato e quando um maior financiamento resulta na ampliação de programas que brindam serviços e capacitação diretamente as pessoas necessitadas.

No entanto, o progresso tem sido mais modesto quando se requer alterações estruturais e compromissos políticos de financiamento a longo prazo. Isso, de acordo com Zukang, explica os escassos resultados na redução da mortalidade materna e no aumento do acesso a serviços de saneamento para pessoas pobres em zonas rurais.

O secretário-geral adjunto ressaltou ainda que, para alcançar os Objetivos do Milênio, a agenda do desenvolvimento deve estar plenamente integrada nos esforços para impulsionar o crescimento e reconstruir a economia global.

Por Adriana Franco

Os direitos humanos e o Brasil, de acordo com a Anistia Internacional

28 maio

Se de um lado a expansão econômica e os projetos sociais governamentais reduziram as disparidades socioeconômicas por outro a desigualdade na distribuição de renda e riquezas continuaram aumentando. Estas são informações fornecidas pelo relatório anual 2009 da Anistia Internacional sobre o Brasil.

O documento também afirma que as violações aos direitos humanos de pessoas que vivem na pobreza não receberam quase nenhuma ação. Desta forma, as comunidades mais pobres permaneceram sem conseguir ter acesso a serviços necessários e vivenciaram um elevado grau de violência por quadrilhas criminosas e da polícia.

Além da falta de políticas específicas voltadas a melhorar a vida de comunidades carentes, coordenador da Anistia Internacional para assuntos brasileiros, Tim Cahill, destaca que a sociedade brasileira tem um conceito errado de direitos humanos.

“Quem não recebe saúde ou educação está mais vulnerável aos abusos da polícia ou à tortura”, diz Cahill.

No relatório, temas como violência e despejos nas zonas rurais, direito dos povos indígenas, defensores dos direitos humanos, forças policiais e de segurança, tortura e maus tratos e direitos das mulheres são abordados.

Além disso, a Anisitia considera a corrupção brasileira como uma forma de violação dos direitos humanos. Para Tim Cahill, “a corrupção é um elemento importante. Ela tira recursos do Estado que são requisitados para o investimento em desenvolvimento social”.

“Se os direitos econômicos e sociais forem assegurados, os direitos humanos também são” garante o órgão internacional.

Situação mundial

No total, 157 países foram analisados destacando que, embora ninguém esteja salvo da crise econômica, os problemas dos países ricos não são nada comparados às calamidades que atingem os mais pobres.

“Na Ásia, África e América Latina, há cada vez mais fome e doenças, devido à drástica alta dos preços dos alimentos, e mais pessoas sem moradia e vivendo na indigência, por causa dos despejos forçados e de execuções de bens hipotecados”, indicou o relatório da organização de defesa dos direitos humanos.

“A falta de alimentos, emprego, água, terra e casa, o aumento da desigualdade, da insegurança, da violência, da xenofobia e do racismo mostram que o mundo está enfrentando não somente uma crise econômica, mas uma crise de direitos humanos”, destacou Irene Khan, diretora-geral da Anistia Internacional.

Para que a solução possa ser encontrada Khan pediu aos países do G20 que assinem um novo acordo global para o respeito aos direitos humanos colocando, assim, estes direitos no centro de suas iniciativas internacionais para o combate da crise econômica.

“Não podemos solucionar os problemas econômicos se não resolvermos os problemas nos direitos humanos”, concluiu a dirigente.

Para acessar o relatório completo, clique aqui.

Por Adriana Franco
Com informações do UOL e da Anistia Internacional